Em nova movimentação, a Embrapa recorreu à seara jurídica e baseando-se em decisão de primeira instância, demitiu Vicente Almeida sem justa causa, na manhã do dia de hoje, 22/04, demonstrando a obsessão da Diretoria-Executiva em eliminar do seu quadro o pesquisador e sindicalista comprometido com a luta da classe trabalhadora.

Confira a nota de repúdio emitida pela Direção Nacional do Sinpaf:

A Diretoria Nacional do SINPAF repudia veementemente a perseguição continuada da Embrapa ao ex-presidente do Sindicato, Vicente Almeida. A cada dia ela ganha novas facetas, todas elas antidemocráticas, políticas e especialmente intimidatórias para os que se comprometem com a luta sindical e com a mobilização da classe trabalhadora.

Cerceado em seu direito à ampla defesa no campo administrativo, Vicente Almeida foi demitido pela primeira vez em 28 de fevereiro de 2018, após denunciar práticas de assédio moral, uso indiscriminado de agrotóxicos e outras violações ocorridas na Embrapa.

O Ministério Público do Trabalho conseguiu, em setembro de 2019, ação cautelar do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região que determinou a reintegração de Vicente Almeida ao quadro da empresa e o pagamento das parcelas salariais, vantagens e reajustes referentes a todo o seu período de afastamento.

Em nova movimentação, a Embrapa recorreu à seara jurídica e, baseando-se em decisão de primeira instância, demitiu Vicente Almeida sem justa causa, na manhã desta quarta-feira (22/04), demonstrando a obsessão da Diretoria Executiva em eliminar do seu quadro o pesquisador e sindicalista comprometido com a luta da classe trabalhadora.

“Reafirmo a perseguição da Embrapa. Trata-se de um esquartejamento moral, uma ação continuada e deliberada para me atingir como pesquisador, militante, cidadão e trabalhador. Em plena pandemia me convocaram para informar da demissão, com uma velocidade tal que nem os cálculos rescisórios foram feitos. A ordem da empresa é clara: livrem-se dele”, ressalta Vicente.

É estarrecedor que Vicente Almeida tenha sido demitido sem justa causa, por decisão judicial. Tal decisão pode endossar conduta antissindical da empresa, especialmente por abrir espaços para que gestões antidemocráticas, que não aceitam contraditório e vozes dissonantes, possam agir com a intenção de criminalizar, eliminar ou silenciar os considerados indesejáveis e os que defendem os direitos dos trabalhadores.

“A perseguição e a demissão de Vicente Almeida são carregadas de simbolismos, pois representam ataques aos atuais e aos ex-dirigentes sindicais. Todos nós, trabalhadoras e trabalhadores, lutaremos no campo jurídico e sindical, unidos até reverter essa decisão”, enfatizou o presidente do SINPAF, Marcus Vinicius Sidoruk Vidal.