17 de abril
Dia Mundial da Luta Camponesa.
Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária

O direito do acesso à terra para produção de alimentos é um direito fundamental. No entanto, a concentração fundiária em nosso país, dominada pelo agronegócio, em detrimento de terras para o cultivo da agricultura familiar, conforme evidenciou o censo de 2017 do IBGE, só aumenta no Brasil.

As consequências desse sistema são nocivas e entre elas está a questão da violência no campo. Somado a tudo isso, enfrentamos atualmente uma séria crise provocada pelo coronavírus e que evidencia graves problemas estruturais da nossa sociedade. A produção de alimentos para a população, que é feita fundamentalmente pelas comunidades tradicionais e pela agricultura familiar, é um deles.

Hoje, 17 de abril, é o Dia Mundial da Luta Camponesa e Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Não é uma data comemorativa. Hoje se completam 24 anos do crime cruel que ficou conhecido como Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará. A data vai ser lembrada com ações de solidariedade por todo o país. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizou atividades de distribuição de alimentos agroecológicos para comunidades carentes em diversos municípios.

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Em São Paulo, por exemplo, na ação Combatendo a injustiça e a fome com solidariedade e união, o MST vai fazer uma doação de alimentos para a Associação de Moradores da Favela do Moinho, para atender a cerca de 800 famílias. “No dia 17 de abril, lembraremos o 24º aniversário do covarde assassinato de 19 camponeses do MST, em Eldorado 

dos Carajás, Pará, pelo Estado brasileiro. Em resposta à impunidade do massacre, o MST segue na luta pela reforma agrária popular, para que a terra seja repartida entre os trabalhadores para que todos se alimentem. Neste dia, vamos dividir os frutos do nosso trabalho com quem precisa e exercitar este princípio fundamental da nossa organização que é a solidariedade”. Lemas como se o campo não planta, a cidade não janta marcam ações semelhantes do MST por todas as regiões brasileiras, em meio à pandemia da Covid-19 e à incapacidade do governo de atuar no enfrentamento à crise.
 
A violência no campo registrada em 2019 aumentou em relação a 2018, conforme o relatório anual Conflitos no Campo Brasil, publicação da Comissão Pastoral da Terra (CPT). O documento está disponível no site da entidade (https://www.cptnacional.org.br/publicacoes-2/destaque/5167-conflitos-no-campo-brasil-2019) e apresenta “dados sobre conflitos e violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro”, inclusive de indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais. O documento deste ano é a 34ª edição do relatório.

Confira aqui a edição na íntegra do Curupira Expresso nº 96.