Presidentes de três bancos públicos — Caixa, Banco do Brasil e BNDES — tomam posse nesta segunda, 7. No primeiro, assume Pedro Guimarães; Rubem Novaes no BB e Joaquim Levy no BNDES. A orientação dada pelo presidente Jair Bolsonaro é mudar a política adotada nos últimos dez anos, período em que essas instituições foram capitalizadas pelo Tesouro para ampliar a oferta de crédito no País. Os bancos deverão devolver os aportes recebidos na forma de Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD), cujos recursos na Caixa, BB e BNDES chegam a R$ 83,8 bilhões.

As instituições também vão ter intensificados os processos de privatizações, com abertura de capital em operações específicas, numa espécie de fatiamento que já vem sendo denunciada pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas. “Não é mais o leilão tradicional, mas a venda por operações, como Loterias, Seguros, Cartões e Asset no caso da Caixa”, explica a coordenadora do comitê, Rita Serrano, que também é representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa.

No BB deverá ser aberto o capital da BB DTVM , que opera na gestão de recursos e administração dos fundos de investimento dos clientes do banco e vendidas as participações em empresas como a Neoenergia, do banco Patagônia (Argentina) e do Banco Votorantim. O BNDES começou a negociar com a devolução desses recursos ainda no governo Temer – segundo informações divulgadas na imprensa, mais de R$ 300 bilhões já foram pagos.

Questionamento – Para a coordenadora do comitê é necessário que as operações de devolução sejam melhor esclarecidas. Ela questiona que, com a devolução dos aportes ao governo os bancos ficarão descapitalizados para a concessão de crédito e isso pode afetar sua sustentabilidade. E lembra que já fazem o repasse de seus dividendos ao governo, pois prestam serviços em importantes programas sociais. “Caso o governo resolvesse criar uma estrutura própria para esses serviços ficaria muito mais caro do que usar a atual estrutura desses bancos. O enfraquecimento dos bancos públicos interessa apenas ao capital privado”, compara.

Outro impacto negativo é o enxugamento dessas empresas públicas, que deverão perder ainda mais empregados, e os riscos aos direitos de seus trabalhadores, como já vem ocorrendo com as mudanças em planos de saúde e previdência, por exemplo. “Pesquisa recente do Datafolha mostra que 60% dos entrevistados discordam (totalmente ou em parte) da privatização. A sociedade sabe que perde com essas vendas, e os trabalhadores das estatais ainda mais. Por isso vamos nos unir, ampliar nossa resistência e elaborar novas estratégias para reagir a tamanho desmonte”, afirma Rita, acrescentando que em breve será divulgada a data da primeira reunião do comitê em 2019.

Fonte: Comitê Empresas Públicas, disponível em https://www.fenae.org.br/portal/comite-empresas-publicas/noticias/bancos-publicos-tem-novos-presidentes-e-seguem-sob-ameaca-de-privatizacao.htm