Glaucia Fraccaro abordou a luta das mulheres por direitos nas relações de trabalho

As mulheres são responsáveis por 2/3 do trabalho realizado no mundo, recebem 10% da renda e são donas de menos de 1% da propriedade. Esses foram alguns dos dados apresentados pela professora da Faculdade de História da PUC Campinas, Glaucia Fraccaro, nas palestras que integraram as Assembleias de segunda-feira, 9, realizadas nas unidades Embrapa Meio Ambiente e Embrapa Informática Agropecuária.
 
Salário inferior para a mesma atividade e a grande carga de trabalho realizada majoritariamente por mulheres mas que não tem valor reconhecido, como o trabalho doméstico e os cuidados a crianças, idosas(os), pessoas doentes ou portadoras de necessidades especiais, também foram aspectos que permearam a análise feita por Gláucia Fraccaro.

  “A luta das mulheres tem a ver com justiça social, com uma sociedade mais justa na medida em que é preciso direitos iguais para que a democracia se consolide por completo, que a sociedade se equilibre, se organize de uma forma mais justa, principalmente do ponto de vista do trabalho. A imensa carga de trabalho que é quase exclusiva das mulheres e que se fala muito pouco. Que é a dos cuidados. Cuidados da casa, das pessoas mais velhas, das crianças”, reforça a pesquisadora.

 Essa carga de trabalho, que não é reconhecida como trabalho, mas sim como amor, conforme analisa a professora, embasa o pensamento conservador. “Os próprios movimentos conservadores na América Latina, eles foram edificados e se transformaram em movimento político organizado com base na pauta da família, de defesa da família. Isso não é à toa. Esses partidos se organizam pensando que se deve privilegiar a família como uma unidade da sociedade fundamental. Em outras palavras, o que se pretende dizer é que à mulher cabe unicamente as tarefas de cuidado. É evidente que por um lado devemos pensar que a maternidade faz a nossa existência algo muito ligado ao cuidado. Mas, da forma como ele é colocado, não tem valor. Não tem valor social, não tem valor financeiro”.

Autora do livro Os direitos das mulheres: feminismo e trabalho no Brasil (1917-1937), da editora FGV, e coordenadora de Autonomia Econômica das Mulheres da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal, no período de 2011 a 2013, ela apresentou uma perspectiva histórica do significado da luta das mulheres por direitos e o feminismo como uma atuação política.

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