Não deveria importar a cor que identifica alguém, nem ser motivo de alarde a origem étnica das pessoas. No entanto, a cor da pele já foi usada para justificar muitas atitudes violentas, políticas discriminatórias e abusivas contra milhares de pessoas. E é por isso que datas como 21 de março, que marcam o Dia Internacional contra Discriminação Racial, não podem passar despercebidas.

Embora a discriminação racial seja referente a qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na cor, ascendência ou origem étnica, segundo definição presente no Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, é de senso comum que os mais afetados por esse tipo de discriminação são os negros e as minorias, como os índios.

O dia 21 de março foi escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a luta contra a discriminação racial justamente porque nesse dia ocorreu o Massacre de Shaperville, em 1960. Na época, milhares de manifestantes saíram às ruas para protestar contra a “Lei do Passe”, que impedia negras(os) de circularem em alguns lugares, na África do Sul. Nesse dia, 69 pessoas morreram e centenas ficaram feridas.

Discriminação no Brasil

Infelizmente no Brasil ainda acreditamos, equivocadamente, que vivemos um convívio étnico harmonioso. Entretanto, a realidade é muito diferente.

Atualmente, no Brasil, a população negra é a maioria entre as pessoas com mais probabilidade de serem vítimas de homicídios, de acordo com o Atlas da Violência 2017. De cada 100 pessoas assassinadas no país, 71 delas são negras.

Segundo o Mapa da Violência de 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais, o assassinato de mulheres, conhecido como feminicídio, também atinge mais a população negra.

A taxa de desemprego é maior entre negros e pardos, ficando em torno de 15% (negros) e 14% (pardos), acima da média nacional. O salário deles também é mais baixo, segundo levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE  2016).

Vamos combater uma das maiores mazelas da sociedade

O racismo em nossa sociedade é prática recorrente e cotidiana e precisa ser erradicado. Hoje, dia destinado à luta contra a Discriminação Racial, devemos refletir sobre formas de combater esta ação segregadora que mina a constituição de uma sociedade justa e igualitária até porque, do ponto de vista da genética, “não há na Terra nenhum grupo humano biologicamente (nem culturalmente) homogêneo” e muito menos superior ao outro.

Para combater um problema tão enraizado é preciso começar educando as crianças para que elas saibam e respeitem as diferenças. É importante que elas convivam, tenham amigos de diversas etnias e origens.

Igualmente essencial é denunciar os atos discriminatórios, pois é o posicionamento, e não a omissão, que tolhem comportamentos racistas.

Não deixe nunca de dar voz às pessoas que sofram com isso, e caso seja você a sofrer, não se cale. Existem várias formas de denunciar, e muitos órgãos competentes para procurar, tais como delegacias, ouvidorias, OAB e conselho tutelar. Só não se cale!

O racismo é um crime inafiançável e imprescritível, segundo a Constituição de 1988.

Neste 21 de março, Dia Internacional contra Discriminação Racial, não poderíamos deixar de prestar nossa homenagem e demonstrar nossa indignação com o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, mulher, negra e ativista dos direitos humanos e defensora da luta das mulheres pobres e negras das favelas do Rio de Janeiro.

Marielle Franco vive em nossas mentes e em nossos corações!

 

Seção Sindical Campinas e Jaguariúna do Sinpaf